quinta-feira, 27 de outubro de 2011
A verdade sempre liberta (José Serra)
A verdade sempre liberta
José Serra
Disponível em http://www.joseserra.com.br/archives/artigo/a-verdade-sempre-liberta e publicado em O Globo em 25/10/2011.
"Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito correções, viremos agora a página – não para esquecê-lo, mas para não deixá-lo aprisionar-nos para sempre." – Desmond Tutu
Está na reta final o debate no Congresso sobre a Comissão da Verdade, cuja missão será também elucidar o destino dos brasileiros que desapareceram na resistência, armada ou não, à ditadura. É justo que suas famílias e amigos recebam do Estado a explicação definitiva sobre os fatos, a ser registrada pela história. Pois, se governos mudam, o Estado é um só, há uma linha de continuidade institucional.
O projeto da Comissão da Verdade ficou empacado por um bom tempo, por causa de erros cometidos pelo governo anterior. Misturaram-se três assuntos: o direito à verdade propriamente dita, o sacrifício de pessoas inocentes em ações das organizações armadas que contestavam o regime e o desejo de responsabilizar criminalmente os agentes desse regime envolvidos na violência contra a oposição da época. Um desejo que não encontra sustentação legal. Neste caso, o impasse só foi superado depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela vigência da Lei de Anistia de 1979, considerando que ela foi recepcionada pela Constituição.
A Lei de Anistia foi uma conquista das forças democráticas, foi arrancada do regime militar após uma ampla mobilização política e social. E é também produto da sua época e da correlação de forças daquele momento. O STF julgou bem, ao não desfazer aquele acordo, que, no balanço final, foi positivo para o Brasil, permitindo uma transição menos atribulada para a democracia. No trade-off, o país saiu ganhando.
A anistia acabou permitindo uma reconciliação verdadeira. Diferentemente de outros países, evitamos aqui alargar o fosso entre o corpo militar e a sociedade. E Forças Armadas respeitadas, coesas e integradas à institucionalidade democrática são um pilar fundamental da estabilidade e da afirmação nacionais. É importante que a Comissão da Verdade, agora em debate no Senado, com a competente relatoria do senador Aloysio Nunes, do PSDB, cujo substitutivo melhora o projeto saído da Câmara, parta das premissas certas.
Seu objetivo não deve ser promover um ajuste de contas parajudicial com personagens do passado. Isso, aliás, cairia facilmente na Justiça. Muito menos deve se deixar atrair pela tentação de produzir uma história oficial. Ou uma narrativa oficial. Precisará, isto sim, concentrar todas as energias na investigação isenta e objetiva. E não na interpretação.
Para tanto, é preciso garantir a ela uma composição pluralista, o que deveria ser de interesse do próprio Executivo, pois seria péssimo se a Comissão da Verdade tivesse seu trabalho questionado por abrir as portas ao facciosismo, à parcialidade e ao partidarismo. É ilusão imaginar que um assunto assim poderia ficar livre de olhares político-partidários, mas é importante minimizar o risco. E para isso a pluralidade é essencial.
Tampouco será o caso de transformar a comissão em órgão certificador de papéis históricos. Não caberá a ela fazer o juízo de valor sobre cada personagem. Seria uma espécie de crueldade pretender realizar a posteriori o julgamento histórico-político de cada ator da época. Sabe-se que o homem é ele mesmo e suas circunstâncias. O comportamento sob tortura, apenas como exemplo, jamais poderá ser objeto de juízo moral posterior. Sob pena de estimular a inversão de papéis e a execração das vítimas.
No fim dos anos 60 e começo dos anos 70 do século passado, o Brasil foi palco de variadas formas na luta contra o regime. Cada um de nós é livre para olhar aquele período e concluir o que foi certo e o que não foi na resistência à ditadura. É um olhar político. E é natural que cada um enxergue o passado à luz de suas convicções atuais. O complicador aparece exatamente aqui: as convicções atuais são também fruto da experiência acumulada, incluindo os erros passados.
Não se trata aqui de ceder ao relativismo, mas deixar cada um com o seu papel. As instituições fazem o seu trabalho e os historiadores fazem o deles. Parece-me uma boa divisão de tarefas.
Por último, reitero uma convicção que já expressei em público. É fundamental para qualquer país não ter medo do passado. A transparência sobre acontecimentos recentes é importante para construir uma sociedade ainda mais democrática. O exemplo a seguir poderia ser o da Comissão de Verdade e Reconciliação da África do Sul. As palavras do grande bispo Desmond Tutu, presidente dessa comissão, deveriam servir de guia para todos que queiram, com sinceridade, enfrentar os desafios do presente.
domingo, 11 de setembro de 2011
Desejo
Passo a assinar os poemas que de vez em quando componho e compartilho
com vocês. Quando lerem algo assinado por "Nada", saibam que é uma
idéia minha que veio ao mundo. Passem para quem quiserem
Desejo
por Nada
Aquece-me saber que a dor colore teus desejos
Penetra fundo na fonte secreta dos teus anseios
Adentrando-me no mistério sagrado da longa noite
torturando-me com tua nua silhueta como açoite
Segue minha mente caindo suave por tuas curvas
Petiscando com os olhos e a língua tuas arguras
Sentindo apenas com a pura mente teu único gosto
Com carícias que correm a muito além de seu rosto
Segue meu desejo incasto de brindá-la com os dedos
De um enlevo nascido do fundo de teus desejos
Tua solidão, minha vontade, nossa profunda lascívia
Penso mais do que com os dedos tocá-la no íntimo
Mas de tal desejo dispo-me triste em um átimo
Por saber que jamais tal graça tu me concederias
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Nota de Esclarecimento: atuação da Polícia Federal no Brasil
Fonte: http://www.adpf.org.br/Entidade/492/Banner/?ttCD_CHAVE=146149 (acessada em 16/08/11 às 23:29:33)
Nota de Esclarecimento: atuação da Polícia Federal no Brasil
12/08/2011 - 18:31
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal vem a público esclarecer que, após ser preso, qualquer criminoso tem como primeira providência tentar desqualificar o trabalho policial. Quando ele não pode fazê-lo pessoalmente, seus amigos ou padrinhos assumem a tarefa em seu lugar.
A entidade lamenta que no Brasil, a corrupção tenha atingido níveis inimagináveis; altos executivos do governo, quando não são presos por ordem judicial, são demitidos por envolvimento em falcatruas.
Milhões de reais – dinheiro pertencente ao povo- são desviados diariamente por aproveitadores travestidos de autoridades. E quando esses indivíduos são presos, por ordem judicial, os padrinhos vêm a publico e se dizem " estarrecidos com a violência da operação da Polícia Federal". Isto é apenas o início de uma estratégia usada por essas pessoas com o objetivo de desqualificar a correta atuação da polícia. Quando se prende um político ou alguém por ele protegido, é como mexer num vespeiro.
A providência logo adotada visa desviar o foco das investigações e investir contra o trabalho policial. Em tempos recentes, esse método deu tão certo que todo um trabalho investigatório foi anulado. Agora, a tática volta ao cenário.
Há de chegar o dia em que a história será contada em seus precisos tempos.
De repente, o uso de algemas em criminosos passa a ser um delito muito maior que o desvio de milhões de reais dos cofres públicos.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal colocará todo o seu empenho para esclarecer o povo brasileiro o que realmente se pretende com tais acusações ao trabalho policial e o que está por trás de toda essa tentativa de desqualificação da atuação da Polícia Federal.
A decisão sobre se um preso deve ser conduzido algemado ou não é tomada pelo policial que o prende e não por quem desfruta do conforto e das mordomias dos gabinetes climatizados de Brasília.
É uma pena que aqueles que se dizem "estarrecidos" com a "violência pelo uso de algemas" não tenham o mesmo sentimento diante dos escândalos que acontecem diariamente no país, que fazem evaporar bilhões de reais dos cofres da nação, deixando milhares de pessoas na miséria, inclusive condenando-as a morte.
No Ministério dos Transportes, toda a cúpula foi afastada. Logo em seguida, estourou o escândalo na Conab e no próprio Ministério da Agricultura. Em decorrência das investigações no Ministério do Turismo, a Justiça Federal determinou a prisão de 38 pessoas de uma só tacada.
Mas a preocupação oficial é com o uso de algemas. Em todos os países do mundo, a doutrina policial ensina que todo preso deve ser conduzido algemado, porque a algema é um instrumento de proteção ao preso e ao policial que o prende.
Quanto às provas da culpabilidade dos envolvidos, cabe esclarecer que serão apresentadas no momento oportuno ao Juiz encarregado do feito, e somente a ele e a mais ninguém. Não cabe à Polícia exibir provas pela imprensa.
A ADPF aproveita para reproduzir o que disse o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos: "a Polícia Federal é republicana e não pertence ao governo nem a partidos políticos".
Brasília, 12 de agosto de 2011
Bolivar Steinmetz
Vice-presidente, no exercício da presidência
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
"SEXO E PODER: A FACE ERÓTICA DA DOMINAÇÃO"! (publicado originalmente no Ex-Blog do Cesar Maia, edição de 08/08/2011)
"SEXO E PODER: A FACE ERÓTICA DA DOMINAÇÃO"!
GUIDO MANTEGA, Cadernos do Presente 3, editora brasiliense.
1. "Para W. Reich, a repressão da sexualidade está a serviço das sociedades autoritárias. Foucault sustenta que o capitalismo avançado espalha o sexo e aumenta seu poder através dele. Enfim, alude-se a uma faceta do poder que não costuma ser abordada nos manuais de ciência política. Trata-se de um poder invisível, subterrâneo, que age na penumbra, e pode ser tão eficiente quanto a polícia ou as instituições judiciárias."
2. "Um orgasmograma (inventado para medir a intensidade do prazer), nem se moveria diante da árdua labuta do camponês, enquanto chegaria rapidamente ao ápice no caso de uma relação sexual. Porém o orgasmo sexual tem vida efêmera, se bem que possa ser prolongado por uma atmosfera que estique as sensações agradáveis. Imagine-se agora uma nova forma de trabalho (diferente do trabalho alienado), escolhida e exercida com gosto. Aí, o orgasmograma poderia acusar uma satisfação menos concentrada, porém muitas vezes mais duradoura."
3. "Atualmente, boa parte da população é mantida na miséria para ser obrigada a trabalhar e, assim, preservarem-se os interesses do sistema de dominação. Essa carência artificialmente mantida exige que a civilização exerça um grau de repressão sobre os instintos de prazer, perfeitamente dispensável caso o potencial acumulado fosse direcionado para o sustento da humanidade."
4. "Na verdade, a relação afetiva ou sexual moderna, sofre uma limitação básica que a esteriliza no seu nascedouro. Pois é uma relação exercida por indivíduos fabricados pelo capitalismo, isto é, por homens individualistas, competitivos, egocêntricos, desconfiados dos outros e de si mesmos; e por tudo isso, incapazes de uma comunhão humana solidária. Nessas condições, o ato sexual fica compartimentado; dá-se entre um sujeito e um mero objeto. Nesse contexto, pouco adianta multiplicar as posições sexuais, ou inventar novos jogos amorosos, sem alterar substancialmente a qualidade das relações."
5. "Então a luta deve dirigir-se não apenas contra o inimigo externo (imperialismo americano, alemão, etc.), como também deve centrar-se sobre o invisível alvo interno, tão perigoso quanto a águia americana. A instauração de uma ordem política mais livre e igualitária deve ser acompanhada pela caça ao autoritarismo em todos os seus redutos. Este deve ser desmascarado enquanto racismo, enquanto restrições sexuais (discriminando relações fora do "matrimônio", o sexo das crianças, o homossexualismo, etc.), machismo, etc."
domingo, 31 de julho de 2011
Apresentação do Projeto Admirável Mundo Novo nas Escolas (versão 0.1)
Caríssimos
Esta é a apresentação de um projeto que estou escrevendo para a área de educação, Admirável Mundo Novo nas Escolas. Gostaria de tornar meus esboços públicos, na esperança de melhorá-lo com as críticas construtivas e os incentivos que porventura venha a receber. Grato desde já.
Apresentação do Projeto Admirável Mundo Novo nas Escolas
Arrisco dizer que vivemos em uma sociedade pós-fordismo. Suas estratégias para o crescimento econômico e o bem-estar material das pessoas parecem ter sido esgotadas por sucessivas crises financeiras e pela necessidade de mão de obra altamente qualificada capaz de lidar com as novas tecnologias associadas à produção de bens. Desprovido de suas estruturas mais vitais, a saber, trabalhadores pouco qualificados e com a remuneração suficiente para consumir o fruto de seu labor, o atual sistema de produção – e por extensão todo o capitalismo desenvolvido nos moldes da primeira metade do século XX – dá sinais claros de não ser capaz de atender a demanda da cada vez maior e mais empobrecida população mundial. A carestia dos recursos mais essenciais assoma-se como realidade iminente para os próximos trinta anos, ou talvez menos. A crise é iminente, e sinais claros, como o aumento de mais de 200% nos preços de muitos itens da cesta básica brasileira em menos de dez anos, são visíveis a olhos nus.
Se o passado próximo nos permite fazer inferências sobre o futuro próximo, como afirmou Aldous Huxley em seu prefácio ao livro Admirável Mundo Novo, é válido supor que estamos na iminência da ascensão de regimes totalitários e arbitrários estruturados ao redor de algum líder carismático, demagogo e ideologicamente avesso às liberdades humanas mais essenciais – notadamente àquelas relacionadas às faculdades de discordar e compreender. A Alemanha no pós-Primeira Guerra Mundial e os países do mundo árabe (especialmente a Líbia de Muammar al-Gaddafi1) são os exemplos mais gritantes do risco que a sociedade sofre em tempos de crise, mas não precisaríamos ir muito longe para testemunhar a escalada de oportunistas desse tipo ao poder. A Venezuela de Chávez, a Argentina dos Kirchner, a Honduras de Zelaya e o Brasil do Partido dos Trabalhadores, para citar apenas alguns exemplos, são palcos nos quais se desenrolam dramas mais ou menos intensos sobre o assalto e o achincalho às liberdades essenciais do pensamento, da aquisição de conhecimento e de expressão.
Neste cenário – a falência de nosso modelo econômico e a possível ascensão de tiranos mais ou menos sutis ou brutais ao poder – a educação adquire uma importância muito maior do que a normalmente percebida. Cabe ao educador um papel central, a saber, corroborar o discurso pseudoideológico do candidato a demagogo carismático ou alertar seus educandos dos riscos existentes em tal canto de sereia. É nesse momento que cabe ao professor refletir seriamente sobre suas crenças, seus objetivos e suas aspirações para o futuro, e também sobre o processo educativo – do qual ele é o agente imediato. Ele precisa encontrar uma resposta clara e distinta para a pergunta "para que educar?" tão antiga em sua profissão, mas mais do que nunca basal e impossível de ser ignorada. Qualquer que seja a resposta, esta terá fortíssima influência sobre seus educandos e sobre o papel que o educador assumirá nestes tempos tenebrosos, pois essa pergunta, hoje, é equivalente a "para quem educar?"
É válido, creio, objetar neste ponto que não é possível fazer uma escolha sem o conhecimento de todas as variáveis e condições envolvidas. Por definição, não é possível recorrer à História oficial para levantar informações sobre como era a vida das pessoas sob um tal tipo de governo – adulteração de arquivos oficiais parece ser um passatempo estimado por todos os governantes que por alguma razão apoiam-se em métodos similares aos considerados nos parágrafos anteriores. Uma vez mais evocando o passado próximo para encontrar respostas e estimativas sobre o futuro próximo, e na impossibilidade de recorrer a eventos reais, precisamos lançar mão de cenários ficcionais que descrevam governos totalitários cuja origem histórica tenha sido um cenário semelhante ao atual. Precisamos compreender a distopia fictícia para impedir que ela se torne real.
De todas as ficções distópicas acredito que Admirável Mundo Novo, do já citado A. Huxley, seja a que mais se assemelhe aos nossos dias. Felizmente não temos acesso a recursos como hipnopédia, condicionamento de fetos e sistema científico de castas, mas vivemos em uma sociedade que presta culto ao prazer imediato e desdenha – não oficialmente, é verdade, mas a desdenha sutil é muito mais danosa que o desprezo aberto – de valores tradicionais como conhecimento, religião e família. Os trabalhadores de nossa sociedade recebem cada vez menos informação que não seja relacionada com seu ofício, e mesmo nas classes mais altas verifica-se a redução do gosto pelas artes nobres da humanidade. Pensar tem se tornado anátema, o pensador um herege ou, mais apropriadamente, um portador de doença altamente contagiosa e sem cura conhecida, tal como a hanseníase nos anos medievais.
Escolher adotar Admirável Mundo Novo como a base deste projeto obedeceu outros critérios além da verossimilhança e do paralelismo com a realidade. Em 2009, creio, dois anos no passado do momento em que este projeto é escrito, o livro foi reeditado com preço surpreendentemente acessível e em formato de bolso – o que permitiria que os alunos o comprassem e o lessem nas horas vagas. Outro fator foi a facilidade de leitura e de acesso: sempre considerei 1984 uma leitura difícil para pessoas que quase não leem, a triste realidade de quase todos os meus alunos, e o livro está quase quatro vezes mais caro do que Admirável Mundo Novo. Ademais, eu já havia trabalhado a Revolução dos Bichos de Orwell com eles, e percebi que uma tal mudança seria de bom tom.
Através do paralelo entre o Estado Mundial fictício e nossa realidade os alunos poderão compreender o perigo que se esconde atrás de títulos como "pai dos pobres" e "libertador". Muitos deles não têm outros meios além da escola para ter acesso ao mundo muito maior e muito mais amplo que reside além de suas preocupações cotidianas, e acredito ser covardia e desonroso negar-lhes as chaves que abrem as portas desse admirável mundo (para eles) novo, e acredito ser indigno do epíteto de educador todo aquele que se propõe a servir de instrumento a serviço do discurso pseudoideológico do tirano carismático que apenas aguarda a crise para ascender soberano. Como diz uma famosa canção, e como os alunos deveriam poder dizer de seus verdadeiros educadores, "eles me deram as chaves que abrem essa prisão".
1Escolhi esta latinização, e não a adotada oficialmente pela mídia brasileira, por ser a preferida pelo governador da Líbia.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Nota de Repúdio à OAB
Eu, Luís Fernando Carvalho Cavalheiro, venho a público para manifestar meu repúdio à Ordem dos Advogados do Brasil por terem apoiado a não-extradição e a soltura do terrorista italiano Cesare Battisti (leia a nota da OAB apoiando a soltura de um terrorista em http://www.oab.org.br/noticia.asp?id=22111). Isso não é questão de "soberania nacional", como Ophir Cavalcante, presidente nacional da OAB, idiotamente afirmou, mas este é o momento para nosso país se afirmar como inimigo da violência como prática política de partidos ou de Estados. Mas o que esperar de um país governado por um partido de ex-terroristas senão apoio a terroristas? O que esperar de um país aliado a Hugo Chavez algo que não seja um apoio brando à al-Gaddafi? Que Deus (palavra maldita para esses terroristas de fundo comunistas, mas sagrada para os homens de bem que ainda restam em nosso país) nos ajude.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A concepção de pessoa como indivíduo em Nicolau Maquiavel e Thomas Hobbes
Autor: Luís Fernando Carvalho Cavalheiro (contatoalunos@profcavalheiro.com)
Licenciado em Filosofia pela UERJ
Introdução
O fim da Idade Média trouxe consigo novas formas de examinar antigas questões e novas concepções de mundo que encontraram acabamento ao longo dos anos da chamada Idade Moderna. Muitos fatos importantes aconteceram nesta época, como as grandes navegações, o Renascimento, a Reforma Protestante, a formação das principais monarquias nacionais, e é defensável atribuir essas mudanças a uma nova postura filosófica, a uma mudança nos paradigmas aceitos durante o período anterior. Algumas mudanças foram mais lentas que outras, assim como as regiões mais periféricas não experimentaram o sabor dos novos tempos (vide, como exemplo, que a Rússia tornou-se uma nação considerada moderna apenas sob Pedro II, no século XVIII), mas o período foi marcante para a história do pensamento ocidental.
Uma dessas mudanças de paradigma foi com relação ao homem. Antes encarado como criatura dependente de seu Criador celestial, a Idade Moderna trará a "emancipação" do homem na medida em que cada vez mais vai trazê-lo ao centro de suas teorias e de seus paradigmas e colocá-lo como fator fundamental. Haja vista o cogito cartesiano, que subordina a existência de todas as coisas – inclusive a de Deus – ao "eu penso" do indivíduo. Mas é na filosofia política que a nova concepção de homem se mostra mais evidente. Pela primeira vez em séculos, o homem é analisado não como objeto de sua crença religiosa, tal como fez, entre outros, São Tomás de Aquino – isto é, não como um ser criado para ser naturalmente bom mas que perdeu inúmeras condições extremamente vantajosas por um deslize de seu progenitor – mas a partir de sua vida em contato com outros homem. A mudança se percebe até mesmo no linguajar empregado pelos pensadores, que passam a fazer uso das palavras cidadão e indivíduo, querendo indicar o vínculo intrínseco que o homem possui com a sociedade à qual pertence ou afirmar a singularidade de cada homem em comparação aos outros que são meramente seus semelhantes.
Apesar de o período ter sido bastante generoso com relação ao número de filósofos que se ocuparam de questões relacionadas ao homem, suas sociedades e seus Estados, neste escrito abordaremos os dois autores trabalhados ao longo do curso de "História da Filosofia Moderna II" ministrado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro pelo professor doutor Marcelo de Araújo: Thomas Hobbes e Nicolau Maquiavel. Será analisada que concepção de pessoa como indivíduo que pode ser extraída das mais conhecidas obras de cada um destes autores: O Príncipe, de Maquiavel; e Leviatã, de Hobbes. Após a apresentação da concepção de pessoa como indivíduo em cada autor, elas serão comparadas em uma conclusão de caráter pessoal sobre o tema.
O Príncipe: antes parecer justo sem o ser que prejudicar-se por ser justo
Nicolau Maquiavel escreveu O Prínicipe para Lourenço de Médici, chamado pela História de "o Magnífico", e o ofereceu como sendo um curso rápido sobre como se deve governar qualquer território. Ele analisa diversos exemplos, tanto históricos quanto atuais na época, acrescentando sempre sua opinião sobre cada fato observado. Não sem razão, O Príncipe é considerado por muitos como sendo até hoje um excelente manual que ensina como governar, e mais de um político famoso já admitiu ter o livro em sua cabeceira.
Mas o que nos interessa aqui não são diretamente as regras que Maquiavel estabeleceu, mas a concepção de pessoa que transparece ao longo da obra. Ele não se ocupa em escrever parágrafos ou capítulos dizendo o que é o homem, nem como entendê-lo – pelo contrário, ele assume isso como um fato já dado de antemão e muito bem conhecido pelo seu leitor. A maneira como ele compreende o indivíduo é bastante peculiar, e, ouso dizer, resultado direto tanto de sua "grande e contínua má sorte"1 quanto da situação política da Itália naquele período histórico. Talvez a visão de Maquiavel sobre o que é o indivíduo tenha contribuído, mais do que os conselhos dados ao governante ao longo da obra, para a caracterização do adjetivo "maquiavélico", presente em diversos idiomas com o significado de "inescrupuloso".
A partir da leitura de O Príncipe podemos admitir que Maquiavel figura o homem como mesquinho, covarde, egoísta e mau. Em vários trechos ele recomenda expressamente ao príncipe que é preferível parecer virtuoso a sê-lo, caso o exercício da virtude seja prejudicial ou oneroso a este. Em outras passagens, ele considera o homem naturalmente inclinado para o mau, e por isso mesmo praticar as virtudes aclamadas como boas por todos os homens fatalmente conduziria à ruína qualquer um que o fizesse. Percebe-se aqui uma retomada de algumas idéias dos sofistas e estóicas sobre a natureza humana, pois se abandona a concepção cristã de homem (ser criado à imagem e semelhança de Deus, portanto naturalmente bom e inclinado às boas virtudes) em favor de uma visão menos idílica: o homem é mesquinho e mau, e elogia a virtude apenas para que outros a pratiquem e se arruínem. Mas essas conclusões são bastante influenciadas pelas análises de Maquiavel, que demonstram como a prática de determinadas virtudes pode se voltar contra o príncipe, e que por isso mesmo é melhor parecer possuí-las sem de fato o fazer.
A partir dessa concepção de natureza humana podemos entender agora a visão de indivíduo empregada por Maquiavel em O Príncipe – ou melhor, a visão de cidadão, que é a palavra usada por ele ao longo da obra. Sendo o cidadão naturalmente egoísta e voltado para seus interesses particulares, o príncipe se quiser governar precisa ganhar os favores de seus súditos – isto é, dos cidadãos subordinados a ele – ou enfrentará conseqüências nada agradáveis. Ou seja: o poder do príncipe deixou de ter origem divina, como defenderam os filósofos medievais, mas advém dos cidadãos subordinados a ele, que podem destroná-lo ou chamar um poder estrangeiro para fazê-lo caso não se sinta satisfeito com o seu governo. O príncipe possui poder para governar apenas enquanto seus súditos fizerem a concessão de tal poder para ele – ou melhor: o cidadão é, em última análise, a fonte do poder do príncipe. Maquiavel não explica como se dá essa concessão, nem mesmo reconhece essa transferência de poder como sendo uma concessão: na verdade, ele afirma que enquanto os súditos sustentarem o poder do príncipe este será imorredouro – o vocabulário contratualista deverá esperar até Thomas Hobbes para consolidar-se.
O cidadão configura-se ainda como indivíduo dotado de direitos, assegurados a ele pelas leis, e em mais este ponto o príncipe deve ser cauteloso: leis injustas podem provocar uma reação por parte de seus súditos proporcional à injustiça da lei. Para Maquiavel isso é mais evidente nas repúblicas do que nos principados, mas mesmo um príncipe pode ter que encarar uma rebelião se seus súditos não se sentirem satisfeitos. O príncipe não governa senão pelo favor ou pelo temor de seus súditos, e deve ter isso sempre em mente – mais do que isso: Maquiavel deixa subentendido, em uma leitura possível de sua obra, que é preciso temer os súditos. Tudo fica mais complexo ainda se considerarmos que para o autor governar é ter que administrar os interesses individuais de cada cidadão, que nem sempre são os mesmos.
Em resumo: o cidadão em O Príncipe é um indivíduo mesquinho, egoísta e covarde, que concede ao príncipe o poder para governar enquanto lhe convier, e a qualquer momento em que sinta que seus interesses estejam sendo prejudicados o cidadão pode retirar esse apoio ao príncipe. O cidadão é, portanto, a base e o sustentáculo do poder do príncipe, que não poderá governar de forma alguma – a não ser muito dispendiosamente – sem o apoio deles. Sem o cidadão não há o principado, visto que príncipe nenhum durará em um território que lhe seja hostil a não ser pelo uso da força.
Leviatã: o homem é o lobo do homem
Thomas Hobbes escreveu o Leviatã como sendo um tratado de Filosofia em geral, desde as instâncias da razão até a teologia. Assim sendo, é natural que ele tenha se dedicado às questões relacionadas ao Estado, ao homem enquanto pertencente a uma sociedade e por que o soberano governa. Hoje em dia seu livro é reconhecido sobretudo por esta parte, já que ele foi o primeiro a falar abertamente em termos de um contrato social, um acordo entre indivíduos visando a obtenção dos objetos de desejo de cada um deles, e também por causa da visão extremamente pessimista de natureza humana que ele adotou.
Grande parte do reconhecimento de Hobbes se deve à metodologia empregada para explicar a origem do Estado e da sociedade: ele faz uma demonstração por indução sobre o indivíduo. Para ele, anteriormente ao Estado e à sociedade existem os indivíduos, sem nenhuma ligação entre si, dotados apenas de um direito, de fazer o que for preciso para manterem-se vivos, e obrigados a apenas uma lei, a de não fazer nada que prejudique seu bem-estar. Nestas condições é fácil imaginar como a vida de cada indivíduo deve ser penosa: ele deve fazer, construir ou criar tudo aquilo que for necessário para a sua sobrevivência e deve ainda se precaver do assalto ou de agressões de outros indivíduos que intentem lhe tomar as posses. É um estado de desconfiança generalizada, pois se qualquer um pode fazer o que for preciso para sobreviver isso pode incluir matar ou escravizar, entre outros fins menos agradáveis.
É interessante notar como Hobbes considera os indivíduos dotados das mesmas capacidades, ainda que ligeiramente diferentes entre si. Usando o exemplo do qual ele se vale no capítulo XIII do Leviatã, um homem mais fraco pode matar um homem mais forte se para isso recorrer a expedientes como a traição, a trapaça, a maquinação, etc. Os homens são iguais em potência (para usar um termo escolástico que, ainda que não apareça neste trecho da obra de Hobbes, serve muito bem), limitados todos pela mesma lei e dotados todos do mesmo direito. Ao mesmo tempo os homens são iguais nas fraquezas, pois se um indivíduo mais fraco pode matar um mais forte, o mais forte pode matar o mais fraco. Essa igualdade é importante na teoria hobbesiana, pois se porventura existisse um homem superior aos demais ele seria por natureza o senhor de todos os demais homens.
Mas um estado de coisas como esse, ao qual Hobbes chama de estado de natureza, não pode subsistir para sempre. Os indivíduos vivendo nesta guerra de todos contra todos percebem facilmente que se trata de uma situação com riscos em potencial bastante iminentes: basta eu desenvolver alguma coisa que me facilite minimamente a vida para que eu me torne alvo de agressores. É claro que aos homens interessa poder ser o agressor mas ninguém quer ser o agredido, e por isso surge a necessidade de alguma espécie de garantia que impeça agressões aos indivíduos. E é por esse simples egoísmo – não querer ser agredido – que os indivíduos chegam à conclusão de que precisam abdicar de parte de sua liberdade em agredir: se ninguém for o agressor, ninguém será agredido. No entanto é preciso haver uma instância superior que garanta a existência e o funcionamento de um contrato (posto que é mútuo, conforme Hobbes expõe no capítulo XIV da obra) dessa natureza, e para isso é criado o Estado: um poder acima dos indivíduos cuja função é garantir o bem-estar dos indivíduos que se tornaram seus cidadãos em detrimento de suas liberdades individuais2.
É interessante notar como os indivíduos abrem mão de parte de seu direito (agredir outros indivíduos) em troca da auto-preservação (não poder ser agredido por outros indivíduos), e como o Estado tem uma origem tão egoísta. Pois é do egoísmo e do medo dos indivíduos que surge a disposição de abandonar parte de seu direito, e é desse abandono que surge o Estado. Mesmo que não houvesse tal disposição seria vantajoso para os indivíduos firmarem o contrato social entre si, como mostram as diversas variantes deste dilema nas Teorias dos Jogos – notadamente o Dilema dos Prisioneiros. Ou seja: mesmo que não houvesse o medo de ser agredido, ainda seria melhor negócio aderir ao contrato social e fazer parte de uma estrutura capaz de prover o indivíduo daquilo que ele não é capaz de produzir sozinho.
A teoria contratualista depende da suposta igualdade entre os homens. Se porventura existisse um homem em algum aspecto superior aos demais ele se imporia sobre os outros homens ainda no estado de natureza e governaria em função deste aspecto em que é superior aos demais. Por exemplo, se existisse um homem tal que ninguém pudesse matá-lo e que facilmente matasse os outros homens, ele não iria participar voluntariamente do contrato, já que ele está em nítida vantagem sobre os demais e, portanto, pode dominá-los facilmente. Mas como não há meio de forçá-lo a aderir ao contrato, temos que ele subjugaria os demais homens antes mesmo que o contrato fosse proposto e se intitularia soberano sobre os demais homens.
Portanto, para Hobbes o homem é naturalmente egoísta e mau, pois depende dessas duas características para sobreviver: a primeira para não fazer nada contra seu bem-estar, e a segunda para fazer todo o necessário para garantir sua vida. Mas é graças a essas características que os indivíduos acabam se organizando em Estados: pelo egoísmo de não poder mais ser vítima de agressões e pela maldade de impedir os outros indivíduos de cometê-las.
Conclusão
Não é difícil perceber que os dois autores adotaram concepções bastante similares sobre o que é o indivíduo: um ser que, por seu egoísmo e maldade, acaba se tornando o sustentáculo do Estado do qual é súdito. Seja por sustentar ou apoiar seu príncipe, seja por abrir mão de parte de seu poder para que outros tenham que abrir mão de igual parcela de poder, os indivíduos aparecem sempre como sendo iguais tanto nas qualidades quanto nas fraquezas e que por isso mesmo não trabalhariam em conjunto se não houvesse um motivo superior para tal. Para Maquiavel, esse motivo superior seria o poder do príncipe, que todos os cidadãos apóiam e sustentam; já para Hobbes esse motivo é a sobrevivência, pois é esta quem gera a necessidade de um Estado.
O indivíduo nas duas obras aparece como um sujeito bastante peculiar, posto que possui grandes poderes dos quais os Estados em que vivem são derivados. Sem a anuência e o assentimento dele, o príncipe não poderá governar sem temer uma revolução ou uma traição. Sem o cumprimento do contrato por parte do indivíduo, toda a teoria hobbesiana colapsaria, e o Estado se mostraria um mau negócio para os membros que permanecessem fiéis ao acordo. Ao mesmo tempo, o indivíduo está sujeito aos poderes que se derivaram de seu poder: enquanto aceito como tal, o príncipe possui liberdade para governar; e pelo simples fato de viver em um Estado o indivíduo abre mão de uma parte de seu direito em troca da segurança e das comodidades existentes na vida em sociedade.
Independentemente das diferenças, trata-se de duas concepções de indivíduo que divergem bastante das que vigoravam na Idade Média. Sob novos paradigmas pôde a sociedade ocidental encontrar novos rumos e avançar rumo à era em que estamos agora.
1 Como ele confessou a Lourenço de Médici na carta-introdução de O Príncipe.
2 Esta é uma descrição bastante simplista da teoria hobbesiana do contrato social, mas contém todos os elementos necessários para visualizarmos o papel que o indivíduo apresenta na gênese do Estado – portanto, servirá perfeitamente para os propósitos deste escrito.
Momento "música que reflete meu humor" - As Profecias (Raul Seixas / Paulo Coelho)
As Profecias
Raul Seixas
Composição : Raul Seixas / Paulo Coelho
Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar
Sentindo o futuro no ar
O ar, carregado sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma
Por que nessa tarde tão calma
O tempo parece parado?
Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro,
Dos loucos que escrevem no muro.
Das teias do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto.
A chama da guerra acesa,
A fome sentada na mesa.
O copo com álcool no bar,
O anjo surgindo no mar.
Os selos de fogo, o eclipse,
Os símbolos do apocalipse.
Os séculos de Nostradamus,
A fuga geral dos ciganos.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.
Um gosto azedo na boca,
A moça que sonha, a louca.
O homem que quer mas se esquece,
O mundo dá ou do desce.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.
Sem fogo, sem sangue, sem ás
O mundo dos nossos ancestrais.
Acaba sem guerra mortais
Sem glorias de Mártir ferido
Sem um estrondo, mas com um gemido.
Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolo do apocalipse
A fuga geral do ciganos
Os séculos de Nostradamus.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia (3x)
Um dia...
Sim, sim, sim...
"Admirável Mundo Novo" vs "1984" -
Chegou ao meu Google Buzz a seguinte tirinha (não vou colocar aqui porque ela é meio grandinha, e vai pesar o site demais). Infelizmente aqueles não acostumados ao idioma do Tio Sam não vão entender a pertinência da análise contida nesse link, mas, para situar esses desafortunados, trata-se de uma comparação entre dois futuros possíveis e distópicos para a humanidade. Um desses possíveis é a sociedade da overdose de informação inútil e culto ao prazer de "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, enquanto o outro possível é a tirania de vigilância, controle e terror do IngSoc de "1984", de George Orwell. A tirinha nos convida, por fim, a uma profunda reflexão sobre os rumos que nossa sociedade tem tomado, e as conclusões não são nada bonitas.
Em meu juízo, opino que a conclusão final da tirinha é um pouco exagerada, pois se chegam a nós mais informação espúria do que o tempo nos permite reconhecer como tal (soterrando as poucas informações úteis que ainda existem) e a verdade é só mais um dado entre tantos dados, por outro lado é inegável a política de controle do fluxo de informações a que estamos submetidos (tipo a censura que o STF impôs ao Estado de São Paulo). "Admirável Mundo Novo" e "1984" descrevem as duas faces de nossa sociedade: o culto ao prazer e à ignorância e o controle rígido do Estado.
Que Deus nos ajude.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Momento "música que reflete meu humor" - Odiosa Natureza Humana (Matanza)
Odiosa Natureza Humana
Matanza
Se todo mundo fosse embora
E só eu ficasse aqui
Eu teria nessa hora
Um bom motivo pra sorrir
Se tudo desaparecesse
E não ficasse mais ninguém
Somente num dia desses
Eu passaria muito bem
Sonho que eu tenho por noites seguidas
Do mundo acabando num belo dia
Sem choro nem despedida
Mesmo porque ninguém se conhecia
Chame de misantropia ou como quiser
Mas você não me engana
Não perde quem desconfia
Culpa da nossa tão odiosa natureza humana
Se todo mundo fosse embora
E só eu ficasse aqui
Eu teria nessa hora
Um bom motivo pra sorrir
Se tudo desaparecesse
E não ficasse mais ninguém
Somente num dia desses
Eu passaria muito bem
Sonho que eu tenho por noites seguidas
Do mundo acabando num belo dia
Sem choro nem despedida
Mesmo porque ninguém se conhecia
Chame de misantropia ou como quiser
Mas você não me engana
Não perde quem desconfia
Culpa da nossa tão odiosa natureza humana
Sonho que eu tenho por noites seguidas
Do mundo acabando num belo dia
Sem choro nem despedida
Mesmo porque ninguém se conhecia
Chame de misantropia ou como quiser
Mas você não me engana
Não perde quem desconfia
Culpa da nossa tão odiosa natureza humana
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Aria di Mezzo Carattere (SNES Version)
Aria di Mezzo Carattere (SNES Version)
Oh my hero, so far away now.
Will I ever see your smile?
Love goes away, like night into day.
It's just a fading dream.
I'm the darkness, you're the stars.
Our love is brighter than the sun.
For eternity, for me there can be,
Only you, my chosen one...
Must I forget you? Our solemn promise?
Will autumn take the place of spring?
What shall I do? I'm lost without you.
Speak to me once more!
We must part now, my life goes on.
But my heart won't give you up.
Ere I walk away, let me hear you say
I meant as much to you....
So gently, you touched my heart.
I will be forever yours.
Come what may, I won't age a day,
I'll wait for you, always...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Eu acuso (autor: Igor Pantuzza Wildmann)
Minha opinião: este artigo é uma importante reflexão sobre os processos degenerativos que nossa sociedade vêm sofrendo, e trata-se de uma leitura obrigatória para qualquer pessoa que queira ser considerada um homem ou mulher de bem. Para quem não lembra o que aconteceu, o professor Kássio foi morto por um aluno por causa de uma avaliação, conforme pode ser lido aqui. Onde esse Brasil irá parar?
A RESPEITO DO DESRESPEITO AOS PROFESSORES
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
Para que não esquecer: a Carta do General Santa Rosa
Fala-se novamente na "Comissão da Verdade". O que seria em tese uma comissão para investigar os excessos dos militares durante os vinte anos nos quais estes estiveram no poder (ato louvável se assim fosse) não passa de um simples comitê petista para perseguir aqueles que foram contra o terrorismo disfarçado de luta social, isto é, perseguir aqueles que combateram os ideais mais profundos do Partido dos Trabalhadores, a saber: a implantação de um Estado comunista nos piores moldes soviéticos e cubanos e que em nada deveria à temida Oceania de George Orwell. Trata-se de puro e simples revanchismo, ainda mais injusto se lembrarmos das polpudas pensões que os altos dirigentes do PT recebem devido as suas participações nos atos de terrorismo que tanto assustaram o homem de bem, trabalhador honesto e respeitador das leis, durante o regime militar e que em nada contribuíram para a abertura democrática.
Nesse contexto lembro da Carta do General Santa Rosa. À época do Decreto de 13 de janeiro de 2010, que instituiu a tal Comissão, o Excelentíssimo Senhor General do Exército Maynard Marques de Santa Rosa escreveu uma análise simples e direta sobre os reais planos dos terroristas travestidos de governantes. Agora, que o assunto retorna a mesa graças à comissão da verdade peruana (que fez exatamente o que o General Santa Rosa previu que seria feito aqui no Brasil), não custa nada lembrar daquele texto advindo de uma das mentes mais brilhantes e corajosas das Forças Armadas Brasileiras, um dos últimos bastiões de defesa da democracia brasileira frente aos ímpetos chávo-petistas.
A COMISSÃO DA "VERDADE"?
A verdade é o apanágio do pensamento, o ideal da filosofia, a base fundamental da ciência. Absoluta, transcende opiniões e consensos, e não admite incertezas.
A busca do conhecimento verdadeiro é o objetivo do método científico. No memorável "Discurso sobre o Método", René Descartes, pai do racionalismo francês, alertou sobre as ameaças à isenção dos julgamentos, ao afirmar que "a precipitação e a prevenção são os maiores inimigos da verdade".
A opinião ideológica é antes de tudo dogmática, por vício de origem. Por isso, as mentes ideológicas tendem naturalmente ao fanatismo. Estudando o assunto, o filósofo Friedrich Nietszche concluiu que "as opiniões são mais perigosas para a verdade do que as mentiras".
Confiar a fanáticos a busca da verdade é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados da raposa.
A História da inquisição espanhola espelha o perigo do poder concedido a fanáticos. Quando os sicários de Tomás de Torquemada viram-se livres para investigar a vida alheia, a sanha persecutória conseguiu flagelar trinta mil vítimas por ano no reino da Espanha.
A "Comissão da Verdade" de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010, certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o seqüestro de inocentes e o assalto a bancos, como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.
Infensa à isenção necessária ao trato de assunto tão sensível, será uma fonte de desarmonia a revolver e ativar a cinza das paixões que a lei da anistia sepultou.
Portanto, essa excêntrica comissão, incapaz por origem de encontrar a verdade, será, no máximo, uma "Comissão da Calúnia".
General do Exército Maynard Marques de Santa Rosa"
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Minha mãe e eu - uma comparação de como vemos ou lembramos de nossas mães de acordo com a idade
5 anos: "Mamãe, te amo."
11 anos: "Mãe, não enche."
16 anos: "Minha mãe é tão irritante."
18 anos: "Eu quero sair de casa."
25 anos: "Mãe, vc tinha razão."
30 anos:" Eu quero voltar pra casa da minha mãe."
50 anos: "Eu não quero perder a minha mãe."
70 anos: "Eu abriria mão de TUDO pra ter minha mãe aqui comigo."...
Vc só tem 1 mãe.
Repasse se vc admira e ama a sua mãe"
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Cruel sequestrador
Prendendo-me em tuas melífluas promessas
Enquanto proibias meu mais íntimo regalo
Com olhar de proibição que a tudo atravessa
Queres de mim da tenra seiva a doce vida
Bebe de meu ser como insensível vampiro
Teu beijo, sedutor, ata-me aos teus dentes
Preenchendo-me com teu poder e meu suspiro
Por que não me libertas, maligno movimento?
Por que ainda me reténs em teu tenso laço?
Por que não me usas mais do que alimento?
Oh sono, tende piedade desta velha carcaça
Deixa-me enfim caminhar por meu próprio passo
Recuperar-me da insônia que me descompassa
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Dia Mundial do Tai Chi Chuan e Chi Kung
Um mundo, uma respiração
http://www.taochia.pro.br/wtcqgd2011.htm
Campo de São Bento, Icaraí (Niterói / RJ), das 10h00min às 13h00min.
Um evento global de saúde e bem-estar sem precedentes se revelará no planeta na manhã do sábado, 30 de abril de 2011, às 10 horas, em todo o mundo. Começando na Nova Zelândia, um sopro vital abraçará a Terra, deslizando através dos fusos horários por mais de 1000 cidades, em 70 países, espalhados nos 5 continentes. Esta onda saudável será visualmente espetacular, mas também promoverá a calma, o bem-estar e a união entre os povos. Reconhecido internacionalmente, esse Evento conta com o apoio das Nações Unidas, através da Organização Mundial de Saúde, de governos municipais e estaduais, e instituições internacionais de Artes Marciais de diversos países.
No Rio de Janeiro o Dia Mundial do Tai Chi Chuan e Chi Kung será organizado pelo Grupo de Terapias e Artes Orientais Taochia, sob direção do professor Sérgio Luiz Villasboas. A programação inclui apresentação de diversos estilos de Tai Chi Chuan e Chi Kung e oficinas de exercícios chineses para a saúde. O evento, que é gratuito e aberto ao público em geral, acontecerá no Campo de São Bento, em Icaraí (Niterói).
Caxienses interessados em ir ao evento podem acompanhar os alunos, instrutores e professores do Instituto WR Kung Fu (entre os quais eu estarei), que pegarão o ônibus Caxias-Niterói às 07h00min. Por favor, confirmem interesse escrevendo para contatoalunos@profcavalheiro.com.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Resenha: Ágora (2009)
Nome original: Ágora
Data de lançamento: 01/10/2009 na Espanha (para outros locais clique aqui)
Direção: Alejandro Amenábar
Roteiro: Alejandro Amenábar e Mateo Gil
Gêneros: drama, histórico
Personagens principais: Hipácia (Rachel Weisz), Davus (Max Minghella), Orestes (Oscar Isaac), Sami Samir (bispo Cirilo)
Fonte: http://www.imdb.com/title/tt1186830/
2. Avaliação do Autor
Enredo: 5 de 5
Cenário: 5 de 5
Figurino: 5 de 5
Fidelidade histórica: 5 de 5
Originalidade: 3 de 5 (infelizmente o cinema blockbuster já abusou demais do cliché da mulher que tenta mudar o mundo mas acaba impedida de alguma maneira).
Nota final: 5 de 5
Comentários sobre a avaliação final: é um filme obrigatório para qualquer pessoa que consiga usar dois neurônios simultaneamente. O filme traz reflexões não apenas sobre a religiosidade no mundo atual como abre a pergunta "e se o cristianismo nunca tivesse existido, como estaríamos hoje?".
3. Sobre o Filme
Ágora é a mais recente produção de Alejandro Amenábar (também conhecido pelo sucesso Mar Adentro), mas, apesar de contar com Rachel Weisz no elenco e receber excelentes comentários e classificações (tendo sido exibido no Festival de Cannes mesmo sem estar concorrendo a nada e ter alcançado o 4º lugar na lista dos Dez Filmes Mais Geeks de 2009 do site http://www.geek.com.br, entre muitos outros), não foi amplamente divulgado no Brasil. Um dos motivos é a dupla polêmica suscitada pelo filme: a de retratar de maneira suave mas fiel os cristãos dos primeiros séculos e o inevitável paralelo com correntes mais fanáticas do islamismo dos dias de hoje. O outro motivo é aquela imagem que se tem do brasileiro: um povo interessado em samba, futebol e afins, incapaz de admirar o que a humanidade humana (nota: "humanidade" aqui aparece como propriedade, não como objeto) tem de mais sublime. Foi um dos melhores filmes que eu já assisti, e considero obrigatório para qualquer um que queira ver o que uma turba insandecida pelo fanatismo (seja este de qualquer espécie) pode fazer.
4. Resenha
Hipácia de Alexandria (em português: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%A1tia; em inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Hypatia) foi a última diretora da Academia de Alexandria, instituição de ensino inspirada no neoplatonismo e na Academia Platônica, e uma das mais importantes filósofas, matemáticas e astrônomas de seu tempo (quiçá de todos os tempos). Infelizmente, ela viveu em um período histórico muito ruim para ser uma mulher pagã, solteira, independente e inteligente: o final do século IV d.C. e o início do século V d.C. Nesse período, Império Romano já havia adotado o cristianismo como sua religião oficial, e isso representaria um sério problema para uma pessoa com todas essas virtudes que Hipácia possuía.
Como diretora da Academia de Alexandria, Hipácia não apenas ministra aulas de filosofia, astronomia e matemática como exerce uma grande influência no governo da cidade, formado em grande parte por ex-alunos seus. O prefeito Orestes, inclusive, raramente tomava decisões importantes sem consultar sua mestra, e o conselho sempre a consulta quando necessário.
Essa influência ofendia os cristãos. Baseados nas Epístolas Paulíneas (isto é, aquelas que foram escritas por São Paulo), os cristãos acreditam que a mulher foi criada por Deus para ser um ente submisso ao homem, do qual seria nada além de uma posse e para o qual não teria utilidade além de reprodutora e empregada doméstica. Liderados pelo bispo, da cidade, Cirilo de Alexandria (canonizado em 1882), os cristãos exigiam do governo que Hipácia fosse punida por sua "ousadia" em, como mulher, influenciar as decisões da cidade.
Orestes resistiu o quanto pôde, mas se viu forçado a ceder quando o Império determinou que os funcionários públicos deveriam se converter ao cristianismo. A partir desse momento, os contatos entre Hipácia e Orestes passaram a ser secretos, pois ela se recusava a converter-se. Respaldados pelo governador da província, os cristãos lançaram um golpe contra a Academia, invadindo e destruindo o lugar. Hipácia, ao tentar apelar junto a Orestes, foi sequestrada (com a anuência de Cirilo) por uma turba de cristãos liderada por Pedro, o Leitor, arrastada até uma igreja, apedrejada, esquartejada viva e lançada ao fogo. Orestes fugiu, e Cirilo assumiu o controle da cidade.
5. Recomendações
Assista a esse filme apenas se você não for um fanático religioso, pois o filme pode ser bastante incômodo aos que nutrem uma visão idílica e romanceada dos primeiros anos do cristianismo. Trata-se de uma religião embrutecida e inimiga do saberes humanos, como a História frequentemente mostra - ou, como Voltaire disse nas Cartas Inglesas, "uma religião de analfabetos e broncos, sempre falando de amor mas dispostos a trucidar todo aquele que não adere aos seus absurdos". Hipácia é apontada como a primeira mártir da humanidade, tendo sido morta por sequazes de uma religião nascida do ressentimento e de crimes contra a capacidade humana de pensar.
Nota importante: quando falo de cristianismo, falo da religião que surge a partir das Epístolas Paulíneas. A mensagem de Jesus Cristo é muito diferente da mensagem pregada pela religião que leva seu nome, o que torna importante e necessária a distinção.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Besouro - Filme
Besouro: filme de kung fu? Que nada! A parada é filme de capoeira!Fontes: a imagem é do cartaz oficial do filme, e as informações técnicas vêm de lá.
Título original: Besouro
Nacionalidade: Brasil
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Besouro é o filme brasileiro que veio pra provar o que eu sempre digo: brasileiro pode fazer, sim, bons filmes de ação.
Besouro conta a história real (com toques de fantasia) de Besouro, um lendário capoeirista que lutou para que de fato os negros fossem libertos da escravidão, porque, apesar de a Lei Áurea já ter sido assinada em sua época, sua etnia ainda era submetida a um regime de trabalho escravo. E tudo começa com uma tragédia, quando o mestre de Besouro é assassinado quando o próprio devia estar protegendo-o, e Besouro se vê frente à realidade que ele pode se tornar o libertador de seu povo.
A primeira coisa que impressiona em Besouro é a coreografia das lutas, dirigidas por Huen Chiu Ku (mesmo coreógrafo de Kill Bill). Não são muitas, admito, mas a qualidade é mais importante que a quantidade, e nisso o filme acerta.
O roteiro, fantasioso e com diversas referências à religiões afro-brasileiras, funciona bem pacas. Como tudo é (realmente) relacionado à lenda do personagem-título, as cenas mais "místicas" dão um "quê" a mais pra história. E a história contada é boa, não decepciona e te dá 95 minutos de boa diversão.
Pra fechar esse filme com chave de ouro, o elenco é ótimo. Aílton Carmo convence no papel do cabeça-dura Besouro, e Flávio Rocha te deixa com raiva no papel do Coronel Venâncio, isso só pra dar um gostinho, já que o resto do elenco também foi muito bem selecionado. E o trabalho de Tikhomiroff não direção também é esmerado, causando uma boa impressão.
Besouro, como filme de ação, é uma pérola, e também é muito bom como uma peça para reflexão sobre o passado de nosso país. Assista sem medo, porque é diversão garantida!
Nota definitiva... 4 de 5.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Avatar - Filme
Fontes: a imagem é o pôster do filme, e as informações técnicas vêm do além.
Título Original: Avatar
Nacionalidade: Estados Unidos da América
Direção e roteiro: James Cameron
Gênero: Ação/Aventura/Fantasia/Ficção Científica
Eu queria espairecer e assistir um bom e divertido filme. E lá estava ele, Avatar, dizendo "ME ASSISTA! ME ASSISTA!!!". E por que não? Não tinha nada melhor pra fazer, e todo mundo fala tão bem desse filme...
Num futuro um pouquinho distante, os seres humanos praticamente "raparam" todos os recursos naturais da Terra. Para conseguir o que precisam, os humanos vão para os espaço explorar novos mundos e fontes de renda. Em Alpha Centauri, numa lua conhecida como Pandora, onde eles encontram um mineral que custa bilhões por quilograma e o povo do planeta, os Na'vi.
É claro que os na'vi, um povo selvagem e recluso, vivendo em contato direto com a natureza, iriam ficar retraídos diante dos terráqueos. E com razão, já que os terráqueos querem se livrar deles para poder pegar a maior reserva do mineral que fica bem em baixo da maior comunidade do povo deles...
No meio de toda essa politicagem e conspiração, encontra-se Jake Sully, um ex-fuzileiro cadeirante, que só é recrutado para a missão porque seu irmão gêmeo morreu. O irmão de Jake fazia parte de um experimento social que tentava manter um contato direto com os nativos, para estudar a cultura na'vi. Com esse objetivo, foram criados os avatares: híbridos humano-na'vi, que podem se conectar diretamente ao cérebro do humano-usuário, como se o mesmo fosse o dono do corpo. Na verdade, Jake só foi recrutado pela facilidade de conexão com o avatar, graças à similaridade do seu DNA com o de seu irmão, e é enxergado como um estranho peça equipe de pesquisadores, jáque é um militar, e não um cientista.
Mas isso muda assim que, durante uma exploração, Jake é separado do grupo de pesquisadores. Perdido no meio da floresta, apenas com suas habilidades de sobrevivência para protegê-lo em terreno alienígena, Jake é eventualmente resgatado por Neytiri, uma na'vi que, após muita insistência, acaba sendo sua professora sobre a cultura de seu povo. E aí o resto só assistindo o filme... XD
Dá pra entender porque Cameron trabalhou tanto tempo nesse filme. Assim como Tolkien (acho que vou apanhar de algum fã de Senhor dos Anéis...), Cameron criou uma cultura própria (baseada nos povos aborígenes australianos e nos povos indígenas norte-americanos) e língua (como Tolkien criou o élfico). Mas não foi só isso: ele e sua equipe idealizaram e criaram toda a fauna e flora de Pandora, cuidando de tudo nos mínimos detalhes.
Não só os efeitos especiais impressionam (assim como o maquinário do filme, que é um show à parte), mas também as atuações. Sam Worthington manda muito bem no papel de Sully, um homem que acaba dividido entre dois mundos e duas naturezas, assim como Zoë Saldaña consegue impressionar com a teimosa e guerreira Neytiri. Mesmo atores famosos que acabaram ganhado papéis menores, como Sigourney Weaver e Michelle Rodriguez, conseguem fazer um grande trabalho e têm seu destaque e brilho próprios. Destaco especialmente Stephen Lang, no papel do Coronel Quaritch, realmente impressionante.
Tá certo, há quem ache que o roteiro têm clichês demais, e também quem ache que Cameron só fez mais um caça-níqueis, mas acho que ele não está errado: se você pode fazer um trabalho que te agrada pacas e te dá rios de dinheiro... por que não?
Eis um filme que vale a pena assistir na telona.
Nota definitiva... 4 de 5.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
O Lutador - Filme
O Lutador: assim é a nossa vida.Fontes: o IMDb para os dados técnicos, e o Cinecartógrafo para o pôster.
Título Original: The Wrestler
Direção: Darren Aronofsky
Escrito por: Robert D. Siegel
Gênero: Artes Marciais/Drama
Eu sei que tenho me dedicado pouco ao blog, mas a falta de tempo (e de paciência, eu admito) devido ao trabalho e à época do ano, além de um monte de fatos da minha vida pessoal, transformaram minha vida num inferno...
Mas, como Mickey Rourke, eu voltei. E é sobre ele que eu vou falar.
Talvez nem todo mundo saiba, mas Rourke vai fazer o vilão de Homem de Ferro 2, o Blacklash (que virou Chicote Negro por aqui), e isso só foi possível graças ao O Lutador, sem dúvidas o melhor filme de sua carreira, até mesmo por guardar semelhanças com sua própria vida pessoal e profissional.
O filme conta a história de Randy "O Carneiro" Robinson, ex-lutador de primeira linha das vehas lutas de vale-tudo. Ao ficar velho demais para lutar nos grandes ringues, Randy passa a lutar em pequenas apresentações, sendo o ringue o único lugar onde encontra real satisfação, e complementando a renda com bicos em um super-mercado. Fora dos ringues, graças ao tempo dedicado às festas e carreira, Randy é um homem solitário. Sua filha não quer vê-lo, e sua melhor amiga é uma stripper. Após sofrer um ataque cardíaco após uma luta, Randy tenta se afastar dos ringues e arrumar sua vida pessoal, mas nada é perfeito...
Rourke, após tanto tempo longe do estrelato (fazendo pequenas participações em filmes medíocres, ou fazendo papéis medíocres em filmes razoáveis), mostra que tem muito fôlego para encarar as câmeras, com uma performance única no papel de Randy (e pensa que queriam chamar o Nicolas Cage pro papel... pff). Sua atuação visceral dá a impressão de que ele é realmente o personagem, muitas vezes transformando o filme quase que num documentário. Marisa Tomei está ótima no papel de Cassidy, dando profundidade à stripper que tenta separar sua vida pessoal do trabalho, e Evan Rachel Woods faz uma maravilhosa ponta no papel da filha abandonada pelo pai que decide dar a ele uma segunda chance. Mas, indiscutivelmente, o filme é de Rourke.
As lutas são outro destaque, desde as estratégias entre os lutadores para entreter o público até as lutas em si. Cada luta, mesmo que apenas com trechos sendo apresentados, é um verdaeiro show.
Não sei se é porque apresenta um astro decadente dando a volta por cima, se é pelas divertidas (e insanas) lutas, pelo roteiro maravilhoso com um final surpreendente ou pelo conjunto da obra, mas O Lutador é, definitivamente, o melhor filme que assisti em 2009.
Nota definitiva... 5 de 5.